quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Como voltar a casa: as palavras. (Anzac cookies)

Sou feita de palavras. Mais do que qualquer outra coisa, sou feita dessa coisa, ás vezes simples, ás vezes complexa, que são as palavras.
Feita desse material que constrói,  que destrói  que justifica, que desmistifica, que envolve, que embala, que esbofeteia,  que motiva, que assusta, que incentiva, que arrasa, que humilha, que glorifica, que cria beleza, que inicia guerras, que sempre existiu e sempre existirá.
Tenho em mim um rio de pensamentos, de entendimentos, de sonhos que não sei de onde vêm e para onde vão.
Mas tal como em mim há um chão de palavras, há um céu de silêncio. E sou desta forma estranha, incompreendida por mim mesma, desentendida, insatisfeita.
Queria muito deixar-vos uma receita. Uma receita que vos fizesse lembrar a vossa casa.
Uma receita que vos enchesse de alegria. Mas não me sinto alegre, a esse estado de felicidade que nos faz sorrir desparatadamente.
Tenho o coração apertado, envolvido em memórias, em medos, em réstias de coragem.
Tenho o meu coração a querer dançar, expressamente, a desejar mostrar-se.
Se ao menos o meu peito abrisse.
Queria deixar-vos uma receita. Mas nenhuma se encaixa aqui hoje, a não ser uma que me lembra a saudade, a partida e a esperança do regresso.
A receita que murmura amor, dedicação e casa.
Que murmura simplicidade.
Hoje não sou muito mais que isso. Isso e palavras.


Anzac Cookies

As bolachas Anzac eram preparada pelas famílias dos soldados da Austrália e da Nova Zelândia que combatiam nas trincheiras durante a I Guerra Mundial. Eram depois embaladas em latas e enviadas às tropas juntamente com a restante ração de combate. Na sua composição não levam ovos, pelo que se mantinham saborosas e crocantes por mais tempo. Eram um gesto doce de ternura e preocupação  a lembrar àqueles soldados que havia alguém que velava e que esperava por eles. Em casa.

Ingredientes:
-1 chávena de farinha com fermento
-1 chávena de coco ralado
-1 chávena de flocos de aveia
-3/4 de chávena açúcar mascavado ( também pode usar açúcar amarelo)
-125g de manteiga
-2 colheres de sopa de mel (Golden Syrup na receita original)
-½ colher de chá de bicarbonato de sódio
-2 colheres de sopa de água a ferver

Preparação:
Numa taça misture a farinha com o coco ralado, o açúcar e os flocos de aveia. Num tacho coloque a manteiga e o mel e leve ao lume até a manteiga derreter. Dissolva o bicarbonato de sódio na água a ferver e junte este liquido ao preparado  do mel com a manteiga após esta estar derretida e envolvida no mel.
Junte a mistura de manteiga, mel e bicarbonato de sódio aos  ingredientes secos e envolva bem usando de preferência as mãos..
Molde bolinhas do tamanho de nozes e coloque-as num tabuleiro forrado com papel vegetal devidamente separadas. Pressione-as depois com a mão ou com uma colher  e leve a forno pré- aquecido a 170/180º cerca de 15 minutos até ficarem douradas.
Deixe arrefecer e guarde numa taça ou lata devidamente fechada.


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

o dia da saudade.

Um dia a minha mão coube dentro da tua avó.
Um dia os meus sonhos pareceram-me tão perto que temi estender a mão e tocá-los.
Um dia corri expectante para a caixa do correio. Chegaria?
Um dia quis entendi grande parte das coisas que amo.
Um dia chorei a tua partida.
Acendi velas. Escrevi eu as minhas cartas e os meus segredos.
Pintei na pele as memórias que ainda tinha, com medo de as esquecer.
Um dia sonhei África e um futuro diferente.
Essa chama ainda ninguém apagou.
Um dia fui semente aconchegada nas tuas mãos.
Princesa e menina sentada ao teu colo.
Hoje sou mulher. Ás vezes desfeita.
Sempre insatisfeita.
Reflexo de ti.


Scones
(porque me aconchegam o coração e me lembram as mãos da minha avó)

Ingredientes( 8 Scones)
-280 gr de farinha fina
-1 colher de sobremesa de fermento
- 5 colheres de sopa de açúcar em pó
-meia colher se sobremesa de sal fino
-65 gr de manteiga à temperatura ambiente
-1 ovo
-125ml de leite


Preparação:
Pré-aqueça o forno a 200º. Peneire a farinha para uma taça, junte-lhe o sal, o fermento e o açúcar.
Adicione a manteiga partida aos cubos e amasse até a massa ficar granulosa.
Meça e verta o leite para outra taça, junte-lhe o ovo e bata até que fiquem misturados.
Adicione esta mistura aos ingredientes secos e amasse de modo a formar uma massa suave e consistente mas não seca.
Transfira para uma superfície polvilhada com farinha e estenda a massa com um rolo até esta ficar aproximadamente com a espessura de 2 cm. corte círculos com um cortador de bolachas e transfira para um tabuleiro forrado com papel vegetal.
Leve ao forno a cozer por 12-15 min.
Sirva com compota, manteiga, mel... o que melhor lhe agradar ou mesmo simples.
Os scones são sempre melhores quando mornos, por isso se possível aqueça-os sempre na altura de servir.





sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Lar.


"Season of mists and mellow fruitfulness,
Close bosom-friend of the maturing sun;
Conspiring with him how to load and bless
With fruit the vines that round the thatch-eves run;
To bend with apples the moss'd cottage-trees,
And fill all fruit with ripeness to the core;
To swell the gourd, and plump the hazel shells
With a sweet kernel; to set budding more,
And still more, later flowers for the bees,
Until they think warm days will never cease,
For Summer has o'er-brimm'd their clammy cells."


To Autumn : John Keats 1795-1821


Casa. Lar.
É onde descansa o nosso coração. Onde tudo é familiar, aconchego, segurança.
Lar é onde as nossas asas podem ser estendidas e os nossos pensamentos entendidos.
Lar são os cheiros reconhecidos. Canela. Noz moscada. Chocolate. Café. Fumo.
Lar são os dias lentos, embalados em lágrimas ou gargalhadas, que conhecemos do lado direito e do lado do avesso.
São os gestos com que contamos, são os que descobrimos com os anos. É a necessidade de regressarmos a nós mesmos. De sermos nós mesmos, na nossa forma mais simples e mais original.
Lar. Lar é entregar o coração a alguém e sentir paz.
é o roçar de saias, o arrastar de pés, o murmurar de segredos, a partilha de memórias já meias apagadas, já meia inventadas... outras totalmente sonhadas.
Lar é regressar todas as vezes como se nunca se tivesse partido.
Para mim lar sou eu e a minha mãe na cozinha a conversar sobre tudo, sobre nada, ou só em silêncio, entre gestos ritmados e já comuns entre nós.
Lar é o conforto do forno quente, são os cheiros a desprender-se das coisas acabadas de cozinhar.
Lar é a felicidade estampada no rosto de quem descobre o prazer de preparar e saborear um pedaço de pão.
Lar é esperar, é ansiar, é desejar mais.
Lar fomos nós esta semana, crianças rebeldes, enfarinhadas, de volta de seis deliciosas pizzas.
Ou embaladas no Outono talhado numa fatia de pão de Brioche e nozes.
Nós zonzas de alegria a cada dentada de pão de Banana.
Não é isto lar? 
Lar é onde está o nosso coração. E parte do meu são os meus amigos. Uma outra parte é cozinhar.


Pão de banana e Iogurte

Ingredientes:
-2 chávenas de farinha
- 1 colher de chá de fermento em pó
-meia colher de chá de sal fino
- meia colher de chá de bicarbonato de sódio
-1/4 de manteiga amolecida
-1 iogurte Natural ( pode ser açucarado, magro ou MG, cremoso ou normal)
-1 chávena de açúcar ( ou 1/2 de açúcar e 1/4 de mel)
-1 colher de sobremesa de canela em pó
-2 Bananas grandes maduras
- 2 ovos
- 1 colher de chá de extracto de Baunilha
- farinha e margarinha qb.

Procedimento:
Pré-aquecer o forno a 180º.
Numa taça grande misture a farinha, o sal, o fermento,o bicarbonato e a canela. reserve.
Noutra taça bata o açúcar com a manteiga até obter um creme homogéneo e claro ( se bater com batedeira eléctrica é cerca de 1 minuto, se bater à mão são cerca de 3 minutos). Adicione ao creme os ovos, um de cada vez, envolvendo bem após cada adição. Num prato esmague as bananas com um garfo até estas ficarem reduzidas a puré. Adicione ao creme de manteiga e mexa. Junte o extracto de baunilha e a mistura dos ingredientes sólidos. Mexa energicamente até que todos os ingredientes estejam misturados.
Barre uma forma de bolo inglês com manteiga e polvilhe com farinha. Deite o preparado na forma e leve a cozer por cerca de uma hora. Deixe arrefecer no forno cerca de dez minutos e só então desenforme.


sábado, 20 de outubro de 2012

rainy days and tea.

Chegaram os dias chuvosos. Os dias ventosos que empurram as folhas caídas contra nós e nos (re)lembram que o frio está para chegar e é hora de apertar botões, aconchegar casacos de malha suave, colocar gorros e sair para viver a vida lá fora.
Está de volta a escola também, com um ritmo ligeiramente diferente este ano, mas não menos frenético ou cansativo.
E com o regresso à escola diminui o meu tempo para escrever mas não para cozinhar. Para já vou tentando cativar a atenção das pessoas para as pequenas coisas que vou fazendo. Tento captar-lhes a atenção com uma caixinha de bolachas acabadas de sair do forno, com uma fatia de pão ainda morno barrado com compota caseira, ou então com os sabores adocicados e frescos de uma pasta italiana.
E aos poucos vou tendo os meus sucessos, o interesse começa a surgir, entre o levantar do pano para espreitar o pão a crescer, entre curiosidade dos ingredientes espalhados e combinados e as conversas tardias, a caminhar, sobre todas as coisas que quero fazer e partilhar com estas pessoas de quem gosto e a quem estimo tanto.
Esta semana tive uma "aprendiz" na cozinha. A semana passada amassei e cozi pão, aqui na casa de Coimbra, e foi desde logo um sucesso tão grande que ficou marcada a tarde do chá. Esta semana decidi repetir a proeza de fazer pão e voilá, eis que a minha mais recente colega de casa, mas colega já de longa data da escola, entrou num turbilhão de alegria e pediu-me para fazer bolachas também. A dada  hora já era farinha por todo o lado, montes de louça para lavar, e aquele nervosismo miudinho que só nos faz rir e que surge da ansiedade, da expectativa e até do receio de as coisas não correrem tão bem. 
Mas uma das coisas que a cozinha tem de bonito é o facto de que, mesmo que as coisas não corram sempre bem, a experiência em si vale o esforço, pela alegria que trás. Foi este o caso. O pão não ficou tão fofo como o da semana passada ( embora eu julgue que foi também por não ter farinha de centeio), as bolachas partiam-se ou ficavam tortas( não tínhamos cortadores), mas os sabores ficaram maravilhosos, a cozinha perfumada, os corações embalados e confortados numa aura de doçura e partilha.
A vida é assim às vezes... simples, da forma que quisermos que ela seja.
A mim sabe-me bem a vida vivida nestes dias. De forma lenta, sem pressas, sem programas, sem horários. Sabe-me bem estes lampejos de felicidade. Sabe-me bem como uma grande caneca de chá fumegante num dia chuvoso ou frio.
Sabe-me bem como comer uma laranja doce e sumarenta ao sol morno, brilhante, sussurrante de promessas... de Janeiro.

Receita para o pão: ( super simples, à moda de principiante)
- Comprar um pacote de farinha Branca de Neve para pão (o primeiro que fiz era de mistura, o segundo de cereais) e seguir as instruções! ( estão a rir-se?!!! Fazer pão mesmo de raiz, só acompanhada para já da senhora minha tia, especialista em pão e afins).

Massa das bolachas:
-125 de manteiga sem sal à temperatura ambiente( pode ser margarina, mas o sabor não é o mesmo!)
-125 gr de açúcar 
-250gr de farinha peneirada
-1 ovo à temperatura ambiente
-1 colher se sobremesa de açúcar baunilhado

Preparação:
Bater bem os açucares com a manteiga até a mistura ficar esbranquiçada.
Adicionar o ovo batendo sempre. adicionar a farinha aos poucos.
Fazer uma bola de massa, envolver em película aderente e levar ao frigorífico pelo menos durante 30 min.
Retirar, estender a massa fininha( cerca de 2/3mm) cortar e transferir para um tabuleiro forrado com papel vegetal. Levar a forno pré-aquecido a 170º e deixar cozer cerca de 8-10 min.
Bon appetit. 



sábado, 29 de setembro de 2012

Panquecas e mudanças.

A vida é feita de mudanças. Dizem.
Este está a ser um ano difícil. Um ano de mudança. Um ano de meios tons e meias formas.
Um ano acompanhado de dor e tristeza. E na minha humilde opinião a dor e a tristeza operam mudança. quando as coisas estão bem dificilmente as queremos mudar. Queremos é agarrá-las ao peito com as duas mãos, prende-las com mil correntes, com mil palavras, com mil gestos e deixar a alegria permanecer.
Este ano foi um ano de teste, de descoberta de mim mesma. Ou pelo menos de uma das partes que eu ainda desconhecia.
Foi um ano de correr, de esperar, de orar e de em vez da alegria prender a fé e a esperança.
A vida é feita de mudanças. dizem. Mudaremos de facto? ou apenas vamos descobrindo parte de nós, como se fossemos gomos de uma laranja que vamos experimentando aos poucos? Um gomo de cada vez... uns mais doces... outros mais ácidos... uns mais secos... outros mais suaves e ricos...
Não há receita para descobrir. É um teste de invenção, e só podemos escolher se queremos ou não arriscar e ser criativos.
A vida é feita de mudanças. Dizem. 
E eu digo " se em dia mudar e me esquecer de para onde vou, terei sempre a infância aonde voltar. Essa criança que eu fui jamais mudará".

Esta semana fiz bolachas e doce de abóbora com nozes.
Apenas vou deixar a receita da compota. A das bolachas é suspeita. É inventada na altura. Tenho uma receita "padrão", mas depois deixo a criatividade fluir e mal não há-de sair.
Deixo aqui contudo a minha receita de panquecas. Simples, básicas, mas um aconchego ao coração nestes dias que já se mostram suficientemente frios para calcar meias quentinhas, acender a lareira e fazer um bule de chá.

Doce de abóbora e noz e panquecas simples

Doce de abóbora:
A abobora que usámos ( eu e a minha tia) não era abobora normal, mas nenhuma de nós sabe a qualidade de abóbora. Não é menina, nem porqueira nem chila. As sementes foram-nos dadas por uma amiga.
Se algum dia souber partilho. Contudo esta qualidade de abóbora não é para cortar, mas antes tem de ser " desfiada" com um garfo ainda crua.

Ingredientes:
-4kg de abóbora desfiada
-1 kg de açúcar ( nós usamos amarelo da RAR)
-2 paus de canela
-Nozes partidas ( a quantidade varia consoante o gosto, nós pusemos cerca de 400 gr)

Preparação
Num tacho colocar a abóbora desfiada, os paus de canela  e o açúcar e deixar a marinar se possível algumas horas.
Ligar o lume e deixar ferver em lume brando, mexendo ocasionalmente até obter ponto estrada. Com este tipo de abóbora é um pouco difícil identificar este ponto, mas pela consistência do doce consegue deduzir-se se já está pronto.
quando estiver quase pronto ( com uma consistência já pastosa, mas fluída  adiciona-se as nozes, mexe-se para envolver bem e retira-se do lume.
Deixa-se arrefecer um pouco e de seguida transfere-se o doce para frascos de vidro herméticos e deixa-se arrefecer.
Se fizer muitos frascos pode congelar. Aguenta vários meses no frigorífico.

Panquecas:

Ingredientes:
1 chávena de chá de farinha ( normalmente uso com fermento)
1 chávena de chá de leite
1 pitada de sal
2 colheres de sobremesa de açúcar
1 ovo
sumo e raspa de meio limão ou meia laranja
óleo q.b.
1 colher de chá de essência de baunilha

Preparação:
Misture os ingredientes secos e de seguida adicione o leite, o sumo e raspa da laranja, o ovo e a essência  Mexa bem de modo a obter uma massa cremosa e homogénea
Pincele uma frigideira com óleo e leve ao lume( pode usar também um pouco de manteiga. Eu  uso óleo apenas na primeira panqueca).
Quando a frigideira estiver quente, com uma concha da sopa deite uma pequena quantidade de massa  no centro.
Quando a massa começar a ficar cheia de "bolhinhas" indica que é hora de virar. O que deve fazer com uma espátula. Repita o processo até ficar sem massa.
São tão simples de fazer e casam tão bem com as mudanças:
Pode fazer variações na massa. Já fiz panquecas de chocolate e panquecas com metade da quantidade de farinha substituída por aveia moída ou farinha de centeio.
Pode adicionar canela, mudar as essências,  pode mesmo adicionar frutos secos ou frescos como amoras, mirtilos, framboesas.
Pode servir simples, acompanhado de chantilly, compota, gelado, chocolate derretido, açúcar em pó ou mesmo fruta e iogurte.

A vida é feita de mudanças. Dizem. Não sei... mas as panquecas certamente podem ser!



domingo, 23 de setembro de 2012

Chocolate e caramelo salgado: Uma Ode ao meu avô e ao Outono que ele me ensinou.

Há uma música que me lembra o Outono. Abigail, dos Streams, tocada pela Irish Film Oschertra.
Um dia se tiver uma filha hei-de-lhe chamar Abigail. E hei-de mostrar-lhe esta música dos Streams.
Espero apenas que ela goste tanto do Outono como eu e encontre nele tanto significado como eu encontro.
O outono lembra-me o meu avô. Lembra-me a minha infância.Lembra-me o que me parece ser já uma vida inteira. 
Uma vida feita de tantas coisas, tantas coisas de dentro, do coração. Mais do que físicas. São tantas as memórias, as recordações de outros tempos, de outros lugares, de outras pessoas. Dos meus avós.
Sinto uma saudade indizível deles. Tenho sempre presente uma terna lembrança, um ensinamento, um gesto.
Sinto que sou o reflexo de muito do que eles foram. Sinto que trago em mim ainda uma parte da vida que eles não puderam viver.
E um dia quando tiver uma filha, além de todas as coisas é deles também que lhe hei-de falar. Porque ver o mundo como eu o vejo e sentir o mundo como eu o sinto, é uma herança infantil, daquilo que eles souberam fazer de mim e comigo.

O meu avô adorava doces. Este fiz por ele.

Tarte de chocolate e caramelo "salgado" (Chocolat Salted Caramel Tart) do Vincent Gadan)

Ingredientes( eu dobrei as quantidades originais, visto que fiz uma tarte grande):

Massa (Massa de pão doce)
180g de manteiga sem sal
100g de açúcar refinado
1 pitada de sal
1vagem de baunilha
2 ovos
40g farinha de amêndoa
320g de farinha de trigo

Caramelo salgado
230 g de açúcar refinado
45g de glicose( que não usei)
200ml de natas
10 g de sal( daria 15 gr, mas achei muito)
40g de manteiga
-nozes partidas (pode usar amendoim ou amêndoa)

Ganache de chocolate
200ml de natas
100g de chocolate amargo picado
100g de chocolate ao leite picado
40g de manteiga

Procedimento:
Massa doce
Bata a manteiga, o açúcar e o sal uma tigela com os dedos ou com uma colher de pau até obter um creme suave e homogéneo. Adicione as sementes da vagem de baunilha e mexa novamente para incorporar bem. Junte os ovos,envolvendo sempre e se seguida o miolo de amêndoa e a farinha e misture até formar uma massa.
Envolver a massa em película, alisar um pouco e levar ao frigorífico para descansar cerca de 2 horas.Após este tempo, retire a massa do frigorífico, polvilhe uma superficio com farinha, bem como a massa e estenda usando um rolo.Quando estiver um a espessura desejada pique a massa com um garfo e transfira-a para uma tarteira com fundo amovível. Ajuste a massa e passe o rolo para retirar os excessos. Levar ao frio por mais 1 hora( eu apenas levei meia) e de seguida deixe cozer durante 20-25 minutos no forno a 160º até a massa ficar dourada( não é castanha, mas dourada =) ).Retire e deixe arrefecer.
Caramelo Salgado
Coloque o açúcar numa panela e leve ao lume em fogo médio e cozinhe, mexendo sempre até que o açúcar se dissolvam e fiquem com uma tonalidade dourada e sem grumos. Retire do lume e junte as natas fervidas,  ( para o açúcar não aglomerar) mexendo sempre. Vai formar fumo e espuma, mas não se assuste, é normal. De seguida junte o sal e a manteiga e envolva. A mistura há-de ficar de um tom castanho claro, cremosa e com consistência não muito forte. Leve ao frigorífico para arrefecer um pouco e a espessura ficar mais consistente.
Quando estiver frio, cubra o fundo da tarte com o caramelo e por cima espalhe as nozes.
Ganache
Para o ganache, aqueça as natas numa panela e quando estiver quase a ferver retire e adicione o chocolate mexendo para que este derreta. Adicione a manteiga e misture bem para obter um creme liso e homogéneo. Cubra a tarte até ao topo com o ganache e leve ao frio para que este solidifique um pouco. retire do frio cerca de 15 min. antes de servir para que ao cortar o caramelo possa correr um pouco.
É deliciosa e rica nos sabores.Tal como era o meu avô e a minha infância.


domingo, 16 de setembro de 2012

amor à primeira vista.

Domingo à tarde.
Domingo soalheiro de inicio, mas agora escurecido, esbatido. Será que vai chover? quem dera.
Seria poesia a beijar a terra seca. O outono não tarda a chegar. Eu sinto. O vento murmura. O céu nocturno proclama.
É domingo à tarde. Domingo suave, sem pressas, sem preocupações. Domingo de apreciar.De não fazer muito. De ficar quieta a pensar, a sonhar, a ver um filme que já vi mil vezes na televisão. Quando somos provados das coisas aprendemos a dar-lhe valor.
Nada me dá mais prazer do que ficar um domingo de vez em quando pasmada em frente à televisão( da qual não sou grande fã na verdade) a ver um filme antigo da minha infância ou inicio de juventude.
Hoje foi um domingo assim, compassado, cansado, preguiçoso, a espreguiçar no sofá.
Contudo estava a roer-me toda para vir aqui deixar a receita dos meus primeiros cupcakes, que mesmo sendo os primeiros e portanto imperfeitos, saíram muito melhor de aspecto do que eu estava à espera e fantásticos de sabor.
Como explicar a sensação? ver uma fornada de pequenos e simples queques sair do forno mornos e cheirosos e com delicadeza e carinho, de quem se apaixona à primeira vista, fazer-lhe pequeninos carapucinhos adocicados para os proteger, e cobri-los com uma chuva amorosa de cacau e açúcar em pó.

Cupcakes de cenoura e laranja com cobertura  e recheio de chocolate & Cupcakes de cenoura e chocolate com cobertura e recheio de creme de manteiga 

Ingredientes( +/- 25 cupcakes):
Massa dos queques ( ambos os queques)
-500 gr de cenouras descascadas
-200 gr de farinha fina
-180gr de açúcar
-30 gr de manteiga amolecida
-3 ovos
-1 laranja
-2 colher se sobremesa de óleo
-1 colher se chá de fermento em pó
- 1 chávena de cacau em pó

Cobertura de creme de manteiga:
-100 gr de manteiga a temperatura ambiente
-250gr de açucar em pó( pode ser necessário mais)
-45ml de leite
-1 colher de chá de essência de baunilha

Cobertura de chocolate:
-200 gr de chocolate amargo
-chávena e meia de açúcar
- 2 colheres de sopa de leite condensado
-65gr de manteiga a temperatura ambiente
-3 colheres de sopa de natas

Preparação(massa):
Cortar as cenouras em pedaços e colocar num tacho com água. Levar ao lume e deixar cozer cerca de meia hora. Escorrer e reduzir a puré.
Ligar o forno a 180º.
Bater a manteiga com o açúcar, até obter um creme esbranquiçado e homogéneo. Juntar os ovos um a um batendo sempre.
Adicionar o sumo e a raspa da laranja, a cenoura, a farinha e o fermento. Incorporar bem.
Dividir a massa em duas partes iguais.
A uma das partes adicionar o óleo e o cacau em pó ( se a massa ficar muito espessa pode adicionar mais um pouco de sumo de laranja, intensificando assim o sabor).
Colocar num tabuleiro as formas e enchê-las com massa até 3/4 da totalidade. Eu usei formas de silicone, de forma de não precisei de barrar com manteiga. Se não tiver destas formas barre as suas com manteiga.
Levar ao forno cerca de 20/22 min. até o palito sair sem massa agarrada.
Deixe arrefecer no forno.
Retire e coloque os queques em forminhas de papel.
Enquanto os queques estão no forno pode preparar os cremes.
Creme de manteiga: numa taça bater a manteiga e aos poucos adicionar metade do açúcar. Bater 3 minutos. Juntar o restante açúcar, a essência de baunilha e o leite e bater mais 3 minutos. Verificar se está consistente. Se for necessário junte mais açúcar e bata.O creme deve ficar brilhante e suave, sem grumos, sem granulos e com consistência forte.
Creme de chocolate: Partir o chocolate em pedaços, colocá-lo numa taça e levar a derreter em banho Maria. Adicionar o açúcar  e envolver, a manteiga e por fim as natas.
Com um cortador em tubo de cerca de 1cm de largura fazer pequenos buracos nos queques e retirar a massa. Colocar os cremes em sacos de pasteleiro separados. Recheie os queques de cenoura com o creme de chocolate, preenchendo bem o interior e o topo e os de chocolate com o creme de manteiga. Leve ao frigorífico até à hora de servir.
Nos cupcakes de chocolate peneire cacau em pó e nos de cenoura e chocolate, açúcar em pó e sirva.
Bom resto de fim de semana a todos.