quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Os dias de Setembro.

"September days have the warmth of summer in their briefer hours,
But in their lengthening evenings a prophetic breath of autumn.
The cricket chirps in the noontide, making the most of what remains of his brief life.
The bumblebee is busy among the clover blossoms of the aftermath,
And their shrill and dreamy hum hold the outdoor world above the voices of the song birds,
Now silent or departed."

- September Days : Rowland E. Robinson, Vermont

Os dias de Setembro são os dias a tentar ser mornos, temperados de sol e de chuva. Os dias a querer ficar mais pequenos, mais aconchegantes. Os dias a clamar por chávenas de chá doces, marmeladas e compotas em grossas fatias de pão fresco e quente acabado de cozer.
Os dias de brisa mais fria ao amanhecer e de terna suavidade ao anoitecer. Os dias de Setembro são dias generosos de aniversários, de transformação, de quietude e reviravolta. Voltam as aulas... regressa-se ao trabalho, refazem-se projectos, iniciam-se carreiras. Os dias de Setembro são únicos. São dias pintados a ouro e a purpura. Dias poéticos, inspirados... para mim silenciosos e melancólicos.
Os dias de Setembro são o clamar apaixonado pelo Outono, pelas lareiras acesas, pelos casacos de lã e pelos passeios ao relento perfumado da noite. Para mim ainda não há nenhuma estação como o Outono. O Outono é lirismo, é secreto, é aconchegante, é dourado, rico, é infância a regressar, é luz acesa, e cheiro no ar. Como explicar? é um estado de alma permanente que posso contemplar durante um curto e precioso espaço de tempo do ano. São as colheitas, a  harmonia nos gestos do apanhar da fruta madura, são os risos e a partilha... são os fornos de lenha a voltarem a reacender, as compotas a ferver, os molhos a borbulhar, as cafeteiras de café quente sempre a ficarem vazias. Outono é chocolate e laranja... são figos maduros... são castanhas assadas. Outono são sonhos leves, sempre aconchegantes, sempre ternos ao meu coração.
Tenho portanto andado dançante entre os tachos e o fogão, mas a marinar as palavras e as ideias.
Nestes dias em que não escrevi, cozinhei  com afinco... de alma e coração, e entre desgraças e milagres quase tudo se salvou na minha cozinha.
São os doces e simples dias de Setembro, a aquecer-me o coração, a agitar as minhas mãos e a despertar em mim a vontade de fazer mais e mais... e mais.

Torta de laranja e Bolachas de aveia e canela

Torta de laranja

Ingredientes
- 8 ovos
-igual peso dos ovos de açúcar
-3 colheres de sopa de farinha (eu usei com fermento, sendo que usei 2 colheres de farinha e uma de aveia moída)
-sumo e raspa de duas laranjas
-Manteiga e açúcar qb.

Preparação:
Unte um tabuleiro rectangular com manteiga, forre-o com papel  vegetal, aderindo bem e volte a barrar com manteiga. Reserve.
Ligue o forno a 180º.
Pese os ovos para poder pesar o açucar. Bata os ovos com o açúcar até obter um creme esbranquiçado. De seguida junte a farinha, o sumo e raspa das laranjas. Envolva bem até obter um creme homogéneo.
Deite o preparado no tabuleiro e leve ao forno por cerca de 15/20 minutos. Teste com um palito e ver se a massa está cozida.
Retire do forno. Humidifique um pano de cozinha, estenda-o sobre uma superfície fria e polvilhe-o com açúcar (seja generosa). De seguida vire o tabuleiro para cima do pano e com a ajuda de outra pessoa enrole a torta. É necessário que a torta seja enrolada ainda quente, porque a massa está mais moldável. Se seguida deixe repousar a torta envolvida no pano humido, até que esta arrefeça. Na altura de servir retire-a do pano e coloque num prato rectangular e decore a goste.
Antes de enrolar a torta pode barra-la com compota a gosto, ou depois de enrolar pode rega-la com calda.
Pode servir simples, com uma bola de gelado,com natas batidas ou creme custard.

Bolachas de aveia

Ingredientes ( eu faço tudo mais ou menos a olho, adicionando ou não farinha e manteiga de acordo com a consistência da massa)
- cerca de 130 gr de farinha
- 2 ovos
- 100 gr de Aveia moída
- 100 gr. de flocos de aveia qb.
-130 gr de manteiga derretida
- 3 colheres de chá de canela em pó
-130 gr de açúcar

Preparação:
Bater os ovos. Juntar a farinha com o açúcar e a aveia e envolver bem. Junte os ovos e de seguida a manteiga derretida com a canela misturada. Mexer até obter uma bola de massa espessa mas moldável.
Levar ao frigorífico cerca de 10 minutos.
Numa superfície lisa colocar a bola de massa e dividi-la em bolas mais pequenas de modo a melhor poder trabalhar.
Com um rolo da massa estender a mesma até esta ficar com uma espessura de cerca de 3/4 milímetros. Com um cortador ( se não tiver use um copo) cortar pequenos círculos de massa.
Coloque os círculos num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve a cozer ao forno a 180º por cerca de 15/20 minutos, verificando a cozedura. Pode virar as bolachas a meio tempo se achar conveniente.
Junte a massa que restou, amasse novamente até ficar uma bola, estenda e corte os círculos. Repita até não restar massa.
Depois de frias pode guardar em taças herméticas. Bem fechadas chegam a durar meses.

Notas importantes: Quando se trabalha com massa, seja massa de pastelaria, seja massa salgada, ou massa para bolachas convém trabalhar a massa com as mãos  e numa superficie de pedra fria (como por exemplo mármore).
Relativamente às bolachas, estas endurecem sempre depois de terem sido retiradas do forno, pelo que se as deixamos cozer muito, ficarão demasiados duras. Eu pessoalmente gosto de bolachas duras e crocantes, mas normalmente as pessoas gostam dela com dureza qb.
A juntar a ambas as receitas uma chávena de chá fumegante e voilá: perfeição!



domingo, 2 de setembro de 2012

um momento de saudade.

Eu adoro fruta...fruta crua, fruta em compota, fruta nos doces e sobremesas.
Gosto da sua doçura, da sua candura, da sua simplicidade.
Estive esta semana fora, mas as mãos e o coração já andavam a fervilhar de ansiedade, pelo momento em que voltaria à cozinha.
Cheguei ontem à noite e não fui capaz de esperar muito tempo.
Não conseguia estar quieta, sentada, deitada, de forma nem jeito algum.
E tinha vontade de fazer apenas uma única coisa: um Strudel de Maçã.
Andava há meses com a ideia... primeiro saiu-me um Crumble com gelado de baunilha (um dia colocarei a receita), e depois comecei a pensar neste meu tão chegado amigo. Massa fofinha e crocante ao mesmo tempo com pedaços de maçã semi-cozida, semi-assada, semi-crua com um toque de açúcar mascavado e canela.
Só de pensar tive arrepios! Gosto. Gosto de como isto me enche a mente de tal forma que já não consigo pensar em mais nada.
Gosto da minha concentração a preparar tudo. Gosto da espera. Da ansiedade do arrefecimento para se poder provar, para se poder sentir o sabor percorrer-me a boca e encher-me o espírito com múltiplos sorrisos, com gargalhadas puras de quem descobre as coisas boas na vida. E saber que para se ser um pouco mais feliz basta ter maçãs, massa simples e um pouco de vontade, é uma chama de esperança do tamanho da imaginação.
A vida é simples, em essência, tal como estas receitas e estes sabores: O problema e que às vezes com tudo o que lhe adicionamos, tentando melhorar ou disfarçar o seu sabor original sabor arruinamos tudo.
Devemos tentar, esforçar-nos ao máximo para desfazer todos os nós, quebrar as correntes e tornar tudo mais claro, mais limpo, mais ligeiro, mais natural e estreito ao coração e à alma.
Talvez resulte.

Strudel de Maça Simples

Ingredientes:
-1 Massa Filo ou uma massa folhada fresca ( eu usei folhada)
- 5 maças grandes ( de preferência da Golden, porque tem tendência a ser mais doce)
- Cerca de 5 colheres de sopa bem cheias de açúcar ( pode usar só mascavado ou mistura de branco e mascavado, ou ainda só branco)
- 2colheres se sobremesa de canela ( a quantidade depende do gosto pessoal pela especiaria, eu particularmente gosto imenso)
- Sumo de 1 limão
- Açúcar em pó.

Procedimento:
Ligar  o forno a 180º. enquanto o forno aquece, descasque as maças, tirando-lhe o caroço e corte em pedaços (não muito grandes). Coloque numa taça e polvilhe com o açúcar, a canela e o sumo de limão envolvendo tudo. Deixe marinar por cerca de 5-8 minutos.
Estenda a massa num tabuleiro forrado com papel vegetal (ou use o que envolve a massa) e espete-a com um garfo para ajudar na cozedura. Coloque os pedaços de maçã no meio da massa e dobre de modo a que as pontas fiquem bem fechadas para que o molho interior não verta.
Leve ao forno por cerca de 30 minutos. Deixe arrefecer, polvilhe com açúcar em pó e sirva. Pode servir simples, com uma chávena de chá ou café, ou juntamente com gelado a seu gosto, como sobremesa.



sábado, 25 de agosto de 2012

(a)corda para a vida: pão fresco e outras coisas.

Hoje de manhã acordei muito cedo. Fiquei quieta na cama à espera que o sono regressasse mas ele já tinha voado até outras paragens, pelo que fiquei deitada apenas o tempo suficiente para aproveitar o morno dos lençóis e repousar um pouco mais o pensamento na almofada.
Depois decidi que devia levantar-me e começar o dia. Os dias começados cedo, são sempre mais longos, mais prazenteiros, mais melosos e aconchegantes. Levantei-me, e assim de cabelo ainda despenteado e cara ensonada fui comprar pão quentinho e leite.
E enquanto regressava a casa para fazer o meu pequeno almoço, o sol que despontava no alto, bateu-me na face, e entre o cheiro da canela que se desprendia do pão, a sua quentura na minha barriga, e o seu sabor na minha boca, dos pedaços já debicados no caminho, eu sorri. Estes momentos de simplicidade pura, de verdade honesta, de cumplicidade com a vida são um aperto doce no coração e a força invisível de que preciso para continuar.
Claro que não é tudo um mar de rosas e esta não é a minha formula mágica para que tudo corra bem ( até porque não correu, e hoje já fiz asneiras, mas isso são outros quinhentos), mas é o pavio necessário para que a minha vela continue a arder.
Não tenho sido a pessoa que quero ser. A pessoa que os meus avós com tanto carinho e esforço criaram, a pessoa que os meus pais esperavam que eu fosse, que eu própria tinha decidido ser.. Sou eu. Sempre complicada, sempre insatisfeita, sempre contraditória e sempre inconstante. Sou eu, rabugenta, às vezes sisuda, às vezes chata... mas eu numa tentativa constante de ser melhor. E sei que ás vezes consigo. Às vezes sinto-me capaz. Sinto que sou melhor. Que estou melhor. Há uma engrenagem qualquer dentro de mim que me leva a perdoar de uma forma que nem eu entendo, que me leva a esquecer o que teima em querer magoar, que me leva a tentar o que já todos tomaram como perdido ou perda de tempo.
Sou eu disposta a ceder, a mudar de sentido, a descompreender para poder compreender. Sou eu disposta a perder todo o sentido e toda a lógica para que mais tarde possa ser capaz de compreender tudo com uma visão mais corajosa e mais positiva.
Sou eu disposta a abdicar, para que depois as coisas possam regressar melhores, mais completas, mais tranquilas.
Hoje não há receitas, não as pode haver sempre. Não há receitas para a vida acima de tudo. Não há conselhos que possam resolver tudo, não há preces milagrosas, nem comprimidos de felicidade. A receita para a vida não se faz com medidas rigorosas, nem com passos ordenados. As coisas acontecem e nós temos de ter simplesmente a coragem de não desistir e de continuar a bater, a moldar, a cortar, a amassar, a esperar, a rechear a vida e as circunstâncias que a circunscrevem o melhor que conseguimos.
Se o fizermos certamente que a nossa receita dará certo, podemos queimar-nos em alguns momentos, perder o controlo noutro, ver tudo perdido, mas se tivermos calma e paciência iremos ver que ás vezes basta ter confiança e acrescentar água, dar tempo à fervura e deixar tudo repousar e arrefecer calmamente.
Hoje não vos trago receitas, ingredientes, procedimentos. Este Blog não é apenas sobre isso. É sobre muito mais: é sobre a vida, a minha vida e o modo como a vivo e como a encaro.
Hoje de manhã, tive aquele lampejo de felicidade, ou de alegria. Tive o ponto certo a remendar o meu coração, a nota certa a compor a melodia desafinada da minha mente, tive a inspiração certa para escrever este texto. E só por isso valeu-me acordar assim tão cedo e começar a viver, tentando, recomeçando, esperando.
Foi um momento simples: pão morno com um toque de canela e leite com café. talvez por não esperar mais, algo tão simples resultou.
Talvez se eu for capaz de deixar tudo fluir, a vida me mostre que afinal não é assim tão complicada ou tão difícil como eu às vezes penso que ela é.
Talvez.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A vida revisitada num ano: Massa Choux com Caramelo


-"Achas que és feliz?"- perguntou.
Ela esperou para responder. Não era uma pergunta fácil. Tinha de ser verdadeira na resposta.
- A vida é como um prato de comida. Tudo depende dos ingredientes que lhe adicionares...pode ser leve e adocicada ou dura e amarga. É tudo uma questão do que sabemos colher, o que colhemos e como o conservamos.
- Para ti está tudo relacionado com a comida?
- Talvez.. não sei... na cozinha há muitas escolhas, muitas indecisões, há mil combinações e caminhos a seguir. Não é fácil. A vida também não o é. Mas depois o resultado final surpreende-te, deleita-te... aquece-te.
-Hum...
- quem não se apaixonou pelas coisas não entende os mistérios que há. Não se trata só da comida... é tudo. Se sou feliz? Sou. Sou feliz a cozinhar, sou feliz a ler.. sou feliz a pintar.. sou feliz a escrever, sou feliz a contemplar e sou feliz por em certos e puros momentos poder ser feliz. Se é felicidade ou gratidão não sei. Acima de tudo quero ter paz, quero poder fazer o que gosto e quero amar. Basta-me."

Escrevi isto o ano passado.
Já fervia a paixão, a vontade, a necessidade de misturar e amassar.
Já sonhava com mesas postas, já saboreava sabores etéreos, já conhecia texturas e formas.
Neste ano que passou, as coisas amadureceram, mudaram. Eu mudei. A tentar saber ainda estou, se amadureci ou se "esverdeei". A vida foi dura este ano, e talvez eu me tenha tornado dura também. E o que fazemos quando a fruta está dura? deixamo-la ao sol uns dias para ela amadurecer lenta e adequadamente. O meu coração precisa de sol. Precisa de ferver em lume brando, entre os cheiros e sabores da canela e do anis. Preciso de luz e paz, de tempo e de calma.
Preciso de acalmar as tempestades, de temperar de novo a minha vida, de me diluir como quem dilui uma compota que ficou demasiado espessa.
Preciso de descansar, de repousar, antes que tenha de enfrentar de novo o forno e ser transformada.
Tem tudo a ver com a cozinha? cada vez mais me convenço que sim, na minha vida tem!
A minha mente, as pontas dos meus dedos, todo o meu coração precisa de coisas belas, de coisas antigas, de coisas brancas, rendadas, abotoadas, douradas do sol, algumas gastas, outras partidas, outras recuperadas, inventadas... coisas preciosas e únicas para mim . Nos meus dias eu preciso de imagens, de música e de sabor.
Quando era garota gostava de brincar com a terra, gostava do cheiro dela quando húmida depois de uma chuvada de Verão, gostava da sensação morna de me deitar sobre a erva e inspirar fundo. Ainda gosto. Ainda sinto. Mas agora, sinto exactamente o mesmo quando cozinho, quando sinto as massas coladas às maos, quando cheiro e provo os molhos e recheios, quando parto vegetais em quadrados minúsculos, quando fervo frascos, quando colho frutas e legumes, quando barro manteiga no pão acabado de sair do forno. Sinto que isso acalma o meu pensamento e o meu coração. Sinto que preciso disso para aguentar e seguir em frente.
Gosto do ritmo caótico e desordenado da cozinha. Gosto de barafustar com as mil coisas que tenho de fazer ao mesmo tempo. Grito e reclamo e depois rio-me quando me queimo, quando salpico tudo, quando a bancada é um mar de molho, ou de caramelo, ou de creme de pasteleiro. Gosto quando o chocolate salta e me sujo toda. Gosto simplesmente.
Gosto de gastar mil e um tachos e taças, de usar todos os garfos e colheres de pau, de atafulhar o fogão. Gosto deste caos. Sinto-me bem neste caos, a esta velocidade, ora lenta, ora frenética; gosto de no fim parar e apreciar somente.
Gosto do cansaço que precede tudo.
Este ano que tem decorrido, tem sido um dos mais amargos da minha vida, mas cozinhar tem-me ajudado a ajustar tudo,a adoçar tudo, a tornar tudo menos penoso e menos escorregadio.
E nesses momentos, intensos, quase decadentes, em que está tudo de pernas pro ar e eu não sei para que lado me virar, entre mexer um creme, desligar o forno e bater um merengue, eu sou puramente feliz.
Resta-me pois segurar bem esses momentos, traduzi-los no melhor que for capaz e continuar a ter fé e a aprender.
Sinto que isto é apenas o inicio de uma bela e longa jornada. E eu sinto que estou preparada para respirar e começar a caminhar.
Finalmente.


Choux recheados com creme de pasteleiro e cobertos com caramelo

Ingredientes:
Massa de Choux:
-160 gr de Farinha T65
-100 gr de manteiga
- 1 colher se chá de sal
-2 colheres de chá de açucar
-4 ovos
-250 gr de água

Creme de pasteleiro(como eu o faço):
-250ml de leite
-150 gr de açucar
-3/4 colheres de farinha Maisena
-4 gemas
-casca de um limão
-1 pau de canela

Caramelo:
-1 chavena de chá de Açucar
-meia chavena de chá de agua quente

Procedimento:
Num tacho colocar a água, a manteiga, a farinha e o açúcar. Levar ao lume até a manteiga derreter e o sal e o açúcar dissolverem. De seguida juntar a farinha e mexer bem de modo a que os ingredientes se misturem e a massa descole das paredes do tacho.
Deixar arrefecer um pouco, bater e juntar um ovo de cada vez até que a massa adquira um tom amarelo (relativamente forte).
Aquecer o forno a 180º.
Colocar a massa num saco de pasteleiro e fazer pequenas bolinhas num tabuleiro com fundo coberto com papel vegetal.
A massa é bastante moldável, pelo que se não tiver saco de pasteleiro pode perfeitamente colocar as bolinhas com uma colher ou até moldá-las com a própria mão que ela não agarra.
Levar o tabuleiro ao forno e baixar a temperatura para 170/160º. Deixar cozer durante 30/40 min. até as bolinhas de choux ficarem douradas. Deixar arrefecer no forno. Entretanto pode fazer o creme de pasteleiro.
Leve ao lume o leite, com o pau de canela e a casca do limão e deixe ferver. Numa taça junte a farinha e o açúcar e noutra taça bata os ovos. Quando o leite ferver retire as cascas e o pau de canela e junte a mistura de açúcar com a farinha. De seguida envolva os ovos batidos e mexa sempre em lume brando até espessar.
Deixe arrefecer.
Quando o creme estiver morno ou frio, com o bico mais fino do saco de pasteleiro ( ou uma seringa como eu usei) faça um pequeno orificio nas bolinhas e recheie com creme. Por fim faça o caramelo. Leve o açúcar num tacho ao fogão até que este derreta e fique em ponto caramelo ( castanho escuro). De seguida junte pouco a pouco a  água quente. É possível que se forme uma espuma. Não se preocupe é normal. Mexa sempre até dissolver bem e o caramelo espessar um pouco. Retire do fogão. Molhe cada bolinha de Choux no caramelo e coloque as bolinhas num prato. Pode acompanhar com o restante creme.

Os recheios das bolinhas Choux pode variar, entre creme pasteleiro, gelado, chantili, natas, mousse de chocolate, bem como a sua cobertura: caramelo, ganache, açúcar em pó ou fios de ovos. É só puxar pela imaginação e jogar com os ingredientes que se tem em casa.


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Os prazeres simples e honestos da vida.

Um dia perguntaram-me o que me fazia feliz.
E eu não precisei de pensar muito... eu sei o que me faz feliz! as coisas simples  e genuínas.
Mas essas, tem-me mostrado a vida e as próprias pessoas, são as coisas mais difíceis de alcançar.
No que diz respeito à comida, e já dizia a Julia Child, as coisas não tem de ser complicadas ou demasiado elaboradas. O que se pretende para quem ama a cozinha é comida simples e honesta feita com ingredientes frescos e de qualidade.
O que eu quero na cozinha, é o que eu quero para a vida.
E quando penso nisso nada me parece mais simples e mais honesto do que uma fatia de pão morno e uma caneca fumegante de café.
Se a vida fosse só isso, eu seria perfeitamente feliz. Quiçá um dia...

Pão de trigo e centeio e Focaccia de Olivas (azeitonas) e Pancetta ( Bacon)

Para o pão:

-1,5 kg de farinha de trigo
-1 kg de farinha de centeio
- fermento  de padeiro
-1 colher de manteiga
-4 colheres de açúcar
-1 pitada de sal
-Água morna
-5 ovos

As medidas são um pouco a olho. A minha tia que já tem anos nisto de fazer pão é que vai ajudando com as medidas (a olho=)). Quando lhe pedi as medidas ela disse-me:" oh rapariga, isto é a olho. O que vale é ter umas boas mãos e um coração quente".

Preparação:

A primeira coisa a fazer é amassar o fermento com um pouco de farinha e agua morna e deixá-lo crescer até ao dobro.
quando o fermento "dobrou" é hora de fazer e amassar o pão. Numa taça grande colocar a farinha, fazer um buraco no meio e colocar lá todos os ingredientes, bem como o fermento amassado. Amassar e enrolar a massa até estar tudo envolvido. Tapar a taça com um pano e reservar até a massa levedar até ao dobro.
Entretanto enquanto se aguarda pode-se aquecer o forno. Nós usamos forno a lenha, o que até atribui uma cor mais bonita e um melhor sabor ao pão.
quando o forno tá quente, é necessário polvilhar a superfície onde se vai trabalhar e moldar o pão com bastante farinha. Podem moldá-lo redondo, em cacete, grande, pequeno, ao vosso gosto. Quando estiver pronto, basta polvilhar um tabuleiro com farinha, colocar o pão e levar ao forno.
quanto ao tempo de cozedura, este varia de forno para forno e é necessário ir controlando através da cor e de um palito grande.
O pão cozido normalmente tem um tom castanho dourado, cheiro intenso e o palito depois de retirado não trás massa agarrada. No nosso forno são cerca de 25 minutos.

Focaccia:

-Azeitonas descaroçadas e previamente laminadas
-azeite
-Bacon

Para a Focaccia usamos a mesma massa do pão,embora haja mesmo receita para a massa de focaccia de colocarei no fim. A massa foi estendida em todo o comprimento de um tabuleiro, com uma folha de papel vegetal por baixo, untada com azeite em toda a sua extensão e foram feitos os buracos característicos deste pão. De seguida colocou-se sobre o pão as azeitonas ás rodelas e o Bacon. Levou-se cerca de 20 minutos ao forno e Puf! Ficou Molto buono! Basta acompanhar com uma salada e tem uma refeição fácil, diferente e ligeira.
Ou devo dizer simples e honesta?


Ingredientes para 1 focaccia:

-500gr de farinha de trigo

-1 saqueta de levedura seca 
-315 ml de água morna
-15 gr de sal
-15 gr de açúcar
-azeite q.b.
-pimenta
-flôr de sal


Os procedimentos são idênticos.


                                                              


sábado, 18 de agosto de 2012

dos amores pelos sabores ao compo(r)tamento

Compotamento: Acto ou efeito de compotar, ou seja fazer compota.
Concordam?
Hoje compo(r)tei bem... ou pelo menos tentei.
Hoje foi um dia árduo e longo, pelo que pedia que eu o adoça-se com algo.
Logo pela manhã saiu-me uma compota (que ficou suberba) de morangos e amoras silvestres. Seguiu-se uma tarte requerida pelo meu irmão, com natas, massa de bolacha e flambé de morangos e no fim do dia, desta vez a pedido de todos, uma lasanha com pasta fresca.
Vamos a ver como nos sai o jantar de sabores.
Resta-me esperar por amanhã e continuar a compo(r)ta-me bem nesta nova aventura.

Compota de morangos e amoras silvestres

Ingredientes:
-800 gr de fruta (morangos e amoras)
-600 gr de açucar ( fiz as contas e fiz metade adoçante, metade açúcar e ficou bom)
-2 colheres de chá de essência de baunilha.
- sumo de 1 limão

Procedimento:
Levar tudo num tacho a lume brando, até ferver. Ir mexendo com a colher de pau. inicialmente fica uma mistura liquida que vai espessando. Quando se verificar que começa a espessar ir experimentando num prato até formar ponto de estrada.
Retirar do lume e colocar em frasco hermético. Conservar num local fresco e seco.
esta compota é óptima por exemplo para fazer tarteletes.

Tarte de natas e morangos flambé

Ingredientes:

Base:
-1 pacote de bolacha Maria
-200 gr de manteiga amolecida

Creme:
-2 colheres de chá de essência de baunilha
-2 pacotes de natas
-100 ml de leite
-3 folhas de gelatina
-90 gr de açúcar

Flambé:
-morangos
-2 colheres de sopa de açúcar
-1 colher de sopa de manteiga
- rum ( eu usei Favaios e ficou bom)

Procedimento:
Colocar as bolachas e a manteiga derretida na trituradora e misturar tudo.
Forrar com a massa o fundo da tarteira e espalhar bem a massa até ao limite da tarteira. Reservar.
Num tacho colocar as natas, o leite, a essência de baunilha e o açúcar, e antes de ferver desligar e adicionar as folhas de gelatina já demolhadas e escorridas. Mexer bem para incorporar.
Adicionar o preparado à base de bolacha e levar ao frigorífico por 3 horas.
Para fazer o flambé basta derreter numa frigideira anti-aderente a manteiga, adicionar o açúcar e os morangos lavados e laminados e deixar cozinhar.De seguida acrescentar o Favaios ( eu usei cerca de  um cálice pequeno)  e deixar flambear até o álcool evaporar. Deixar arrefecer e deitar sobre o creme da tarte. Levar ao frigorífico até servir.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

é assim a vida amor(a).

Dizem que encontramos as melhores coisas da vida quando menos esperamos e conhecemos as pessoas mais importantes nos locais mais improváveis.
A minha vida tem sido um caos desordenado, neste estranho ano bissexto. As leis de Murphy têm actuado como se prevê que actuem, e eu tenho tentado pacientemente, não antecipá-las, mas digeri-las.Mas ás vezes é mais fácil digerir a vida, quando há alguma coisa doce com que contornar as amarguras de cada dia.A  mim calhou-me uma estrada ladeada de silvas. Que desgraça. Já não chegam as que tem o coração, ainda temos de lidar com as do caminho que fazemos, de manhã cedo, com vista a espairecer a mente.Pois, mas tal como na vida, sem silvas não há amoras e sem amoras não há compota.Gostei desta descoberta. Gostei tanto que andei todo o restante dia a ansiar pela manhã enevoada para ir lançar-me às silvas! Literalmente! arranhei-me, cortei-me, esfolei-me e enlameei-me mas no final tinha o meu tesouro! uma taça enorme cheia de amoras para fazer a minha compota. Será o meu coração a pedir Inverno? não sei... mas ele falou, e eu obedeci fazendo-lhe a (ben)dita compota. Para quem não sabe eu adoro compotas. Desde criança que sou puramente básica e só como queijo fresco (ou primos deste) e compota ou marmelada. Queijo e fiambre não são muito chegados à minha alma e aos meus gostos.Mas compotas? até à colherada as como. E esta saiu-me bem. Primeiro espessa, depois mais fluída, depois perfeita.Mas eu não queria fazer um prazer solitário e decidi que a melhor pretendente a casar com a minha compota de amoras silvestres seria uma Panna Cotta simples.Ora a compota chegou primeira, vermelhinha e doce e teve de esperar 3 horas pela companheira pálida. A junção das duas foi um casamento perfeito entre o que é simples e honesto. Até os mais esquisitos pediram Bis! E eu sorri. Feliz, porque naquele momento eu entendi que através das silvas da minha vida, eu serei capaz de juntar coisas boas a coisas honestas e criar algo único e fantástico.

Panna Cotta Simples

Ingredientes:
-3 folhas de gelatina
-5 decilitros de natas (ou uma mistura de natas e leite)
-90 gramas de açúcar

Preparação:Colocar as folhas de gelatina de molho em água fria durante 5 minutos. Aqueçer as natas com o açúcar e  quando estiver quase a ferver desligar o lume e acrescentar as folhas de gelatinas bem espremidas, mexendo até dissolver.Deitar a  panna cotta em forminhas individuais e levar ao frigorífico pelo menos durante 3 horas.Antes de servir desenformar cuidadosamente a panna cotta, mergulhando  o fundo das forminhas alguns segundos em água quente, e decorar a gosto.


Compota de Amoras silvestres

 Ingredientes:
-1kg de amoras silvestres
-Cerca de 850 gr. de açúcar
-Um pouco de água
-1 pau de canela( opcional)
-Sumo de 1 limão

Preparação:
Colocar tudo num tacho e levar ao lume. Inicialmente a mistura é fluida, mas depois começa a espessar. É necessário que o processo ocorra sempre em lume brando e que se vá mexendo com uma colher de pau. Quando a compota começar a engrossar, ir experimentando num prato até formar ponto estrada (quando de passa uma colher a compota separa-se formando uma estrada). Se já tiver passado este ponto e estiver muito espessa basta juntar um pouco de água ( não necessita acrescentar mais açúcar) e deixar ferver. Mal ferva, desligue. Depois de fria a consistência tende a ser maior.Coloque em frascos herméticos e deixe arrefecer antes de fechar. Guardar no frigorífico ajuda a conservar por mais tempo.