Chegaram os dias chuvosos. Os dias ventosos que empurram as folhas caídas contra nós e nos (re)lembram que o frio está para chegar e é hora de apertar botões, aconchegar casacos de malha suave, colocar gorros e sair para viver a vida lá fora.
Está de volta a escola também, com um ritmo ligeiramente diferente este ano, mas não menos frenético ou cansativo.
E com o regresso à escola diminui o meu tempo para escrever mas não para cozinhar. Para já vou tentando cativar a atenção das pessoas para as pequenas coisas que vou fazendo. Tento captar-lhes a atenção com uma caixinha de bolachas acabadas de sair do forno, com uma fatia de pão ainda morno barrado com compota caseira, ou então com os sabores adocicados e frescos de uma pasta italiana.
E aos poucos vou tendo os meus sucessos, o interesse começa a surgir, entre o levantar do pano para espreitar o pão a crescer, entre curiosidade dos ingredientes espalhados e combinados e as conversas tardias, a caminhar, sobre todas as coisas que quero fazer e partilhar com estas pessoas de quem gosto e a quem estimo tanto.
Esta semana tive uma "aprendiz" na cozinha. A semana passada amassei e cozi pão, aqui na casa de Coimbra, e foi desde logo um sucesso tão grande que ficou marcada a tarde do chá. Esta semana decidi repetir a proeza de fazer pão e voilá, eis que a minha mais recente colega de casa, mas colega já de longa data da escola, entrou num turbilhão de alegria e pediu-me para fazer bolachas também. A dada hora já era farinha por todo o lado, montes de louça para lavar, e aquele nervosismo miudinho que só nos faz rir e que surge da ansiedade, da expectativa e até do receio de as coisas não correrem tão bem.
Mas uma das coisas que a cozinha tem de bonito é o facto de que, mesmo que as coisas não corram sempre bem, a experiência em si vale o esforço, pela alegria que trás. Foi este o caso. O pão não ficou tão fofo como o da semana passada ( embora eu julgue que foi também por não ter farinha de centeio), as bolachas partiam-se ou ficavam tortas( não tínhamos cortadores), mas os sabores ficaram maravilhosos, a cozinha perfumada, os corações embalados e confortados numa aura de doçura e partilha.
A vida é assim às vezes... simples, da forma que quisermos que ela seja.
A mim sabe-me bem a vida vivida nestes dias. De forma lenta, sem pressas, sem programas, sem horários. Sabe-me bem estes lampejos de felicidade. Sabe-me bem como uma grande caneca de chá fumegante num dia chuvoso ou frio.
Sabe-me bem como comer uma laranja doce e sumarenta ao sol morno, brilhante, sussurrante de promessas... de Janeiro.
Receita para o pão: ( super simples, à moda de principiante)
- Comprar um pacote de farinha Branca de Neve para pão (o primeiro que fiz era de mistura, o segundo de cereais) e seguir as instruções! ( estão a rir-se?!!! Fazer pão mesmo de raiz, só acompanhada para já da senhora minha tia, especialista em pão e afins).
Massa das bolachas:
-125 de manteiga sem sal à temperatura ambiente( pode ser margarina, mas o sabor não é o mesmo!)
-125 gr de açúcar
-250gr de farinha peneirada
-1 ovo à temperatura ambiente
-1 colher se sobremesa de açúcar baunilhado
Preparação:
Bater bem os açucares com a manteiga até a mistura ficar esbranquiçada.
Adicionar o ovo batendo sempre. adicionar a farinha aos poucos.
Fazer uma bola de massa, envolver em película aderente e levar ao frigorífico pelo menos durante 30 min.
Retirar, estender a massa fininha( cerca de 2/3mm) cortar e transferir para um tabuleiro forrado com papel vegetal. Levar a forno pré-aquecido a 170º e deixar cozer cerca de 8-10 min.
Bon appetit.

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