-"Achas que és feliz?"- perguntou.
Ela esperou para responder. Não era uma pergunta fácil. Tinha de ser verdadeira na resposta.
- A vida é como um prato de comida. Tudo depende dos ingredientes que lhe adicionares...pode ser leve e adocicada ou dura e amarga. É tudo uma questão do que sabemos colher, o que colhemos e como o conservamos.
- Para ti está tudo relacionado com a comida?
- Talvez.. não sei... na cozinha há muitas escolhas, muitas indecisões, há mil combinações e caminhos a seguir. Não é fácil. A vida também não o é. Mas depois o resultado final surpreende-te, deleita-te... aquece-te.
-Hum...
- quem não se apaixonou pelas coisas não entende os mistérios que há. Não se trata só da comida... é tudo. Se sou feliz? Sou. Sou feliz a cozinhar, sou feliz a ler.. sou feliz a pintar.. sou feliz a escrever, sou feliz a contemplar e sou feliz por em certos e puros momentos poder ser feliz. Se é felicidade ou gratidão não sei. Acima de tudo quero ter paz, quero poder fazer o que gosto e quero amar. Basta-me."
Escrevi isto o ano passado.
Já fervia a paixão, a vontade, a necessidade de misturar e amassar.
Já sonhava com mesas postas, já saboreava sabores etéreos, já conhecia texturas e formas.
Neste ano que passou, as coisas amadureceram, mudaram. Eu mudei. A tentar saber ainda estou, se amadureci ou se "esverdeei". A vida foi dura este ano, e talvez eu me tenha tornado dura também. E o que fazemos quando a fruta está dura? deixamo-la ao sol uns dias para ela amadurecer lenta e adequadamente. O meu coração precisa de sol. Precisa de ferver em lume brando, entre os cheiros e sabores da canela e do anis. Preciso de luz e paz, de tempo e de calma.
Preciso de acalmar as tempestades, de temperar de novo a minha vida, de me diluir como quem dilui uma compota que ficou demasiado espessa.
Preciso de descansar, de repousar, antes que tenha de enfrentar de novo o forno e ser transformada.
Tem tudo a ver com a cozinha? cada vez mais me convenço que sim, na minha vida tem!
A minha mente, as pontas dos meus dedos, todo o meu coração precisa de coisas belas, de coisas antigas, de coisas brancas, rendadas, abotoadas, douradas do sol, algumas gastas, outras partidas, outras recuperadas, inventadas... coisas preciosas e únicas para mim . Nos meus dias eu preciso de imagens, de música e de sabor.
Quando era garota gostava de brincar com a terra, gostava do cheiro dela quando húmida depois de uma chuvada de Verão, gostava da sensação morna de me deitar sobre a erva e inspirar fundo. Ainda gosto. Ainda sinto. Mas agora, sinto exactamente o mesmo quando cozinho, quando sinto as massas coladas às maos, quando cheiro e provo os molhos e recheios, quando parto vegetais em quadrados minúsculos, quando fervo frascos, quando colho frutas e legumes, quando barro manteiga no pão acabado de sair do forno. Sinto que isso acalma o meu pensamento e o meu coração. Sinto que preciso disso para aguentar e seguir em frente.
Gosto do ritmo caótico e desordenado da cozinha. Gosto de barafustar com as mil coisas que tenho de fazer ao mesmo tempo. Grito e reclamo e depois rio-me quando me queimo, quando salpico tudo, quando a bancada é um mar de molho, ou de caramelo, ou de creme de pasteleiro. Gosto quando o chocolate salta e me sujo toda. Gosto simplesmente.
Gosto de gastar mil e um tachos e taças, de usar todos os garfos e colheres de pau, de atafulhar o fogão. Gosto deste caos. Sinto-me bem neste caos, a esta velocidade, ora lenta, ora frenética; gosto de no fim parar e apreciar somente.
Gosto do cansaço que precede tudo.
Este ano que tem decorrido, tem sido um dos mais amargos da minha vida, mas cozinhar tem-me ajudado a ajustar tudo,a adoçar tudo, a tornar tudo menos penoso e menos escorregadio.
E nesses momentos, intensos, quase decadentes, em que está tudo de pernas pro ar e eu não sei para que lado me virar, entre mexer um creme, desligar o forno e bater um merengue, eu sou puramente feliz.
Resta-me pois segurar bem esses momentos, traduzi-los no melhor que for capaz e continuar a ter fé e a aprender.
Sinto que isto é apenas o inicio de uma bela e longa jornada. E eu sinto que estou preparada para respirar e começar a caminhar.
Finalmente.
Choux recheados com creme de pasteleiro e cobertos com caramelo
Ingredientes:
Massa de Choux:
-160 gr de Farinha T65
-100 gr de manteiga
- 1 colher se chá de sal
-2 colheres de chá de açucar
-4 ovos
-250 gr de água
Creme de pasteleiro(como eu o faço):
-250ml de leite
-150 gr de açucar
-3/4 colheres de farinha Maisena
-4 gemas
-casca de um limão
-1 pau de canela
Caramelo:
-3/4 colheres de farinha Maisena
-4 gemas
-casca de um limão
-1 pau de canela
Caramelo:
-1 chavena de chá de Açucar
-meia chavena de chá de agua quente
Procedimento:
Num tacho colocar a água, a manteiga, a farinha e o açúcar. Levar ao lume até a manteiga derreter e o sal e o açúcar dissolverem. De seguida juntar a farinha e mexer bem de modo a que os ingredientes se misturem e a massa descole das paredes do tacho.
Deixar arrefecer um pouco, bater e juntar um ovo de cada vez até que a massa adquira um tom amarelo (relativamente forte).
Aquecer o forno a 180º.
Colocar a massa num saco de pasteleiro e fazer pequenas bolinhas num tabuleiro com fundo coberto com papel vegetal.
A massa é bastante moldável, pelo que se não tiver saco de pasteleiro pode perfeitamente colocar as bolinhas com uma colher ou até moldá-las com a própria mão que ela não agarra.
Levar o tabuleiro ao forno e baixar a temperatura para 170/160º. Deixar cozer durante 30/40 min. até as bolinhas de choux ficarem douradas. Deixar arrefecer no forno. Entretanto pode fazer o creme de pasteleiro.
Leve ao lume o leite, com o pau de canela e a casca do limão e deixe ferver. Numa taça junte a farinha e o açúcar e noutra taça bata os ovos. Quando o leite ferver retire as cascas e o pau de canela e junte a mistura de açúcar com a farinha. De seguida envolva os ovos batidos e mexa sempre em lume brando até espessar.
Deixe arrefecer.
Quando o creme estiver morno ou frio, com o bico mais fino do saco de pasteleiro ( ou uma seringa como eu usei) faça um pequeno orificio nas bolinhas e recheie com creme. Por fim faça o caramelo. Leve o açúcar num tacho ao fogão até que este derreta e fique em ponto caramelo ( castanho escuro). De seguida junte pouco a pouco a água quente. É possível que se forme uma espuma. Não se preocupe é normal. Mexa sempre até dissolver bem e o caramelo espessar um pouco. Retire do fogão. Molhe cada bolinha de Choux no caramelo e coloque as bolinhas num prato. Pode acompanhar com o restante creme.
Os recheios das bolinhas Choux pode variar, entre creme pasteleiro, gelado, chantili, natas, mousse de chocolate, bem como a sua cobertura: caramelo, ganache, açúcar em pó ou fios de ovos. É só puxar pela imaginação e jogar com os ingredientes que se tem em casa.
-meia chavena de chá de agua quente
Procedimento:
Num tacho colocar a água, a manteiga, a farinha e o açúcar. Levar ao lume até a manteiga derreter e o sal e o açúcar dissolverem. De seguida juntar a farinha e mexer bem de modo a que os ingredientes se misturem e a massa descole das paredes do tacho.
Deixar arrefecer um pouco, bater e juntar um ovo de cada vez até que a massa adquira um tom amarelo (relativamente forte).
Aquecer o forno a 180º.
Colocar a massa num saco de pasteleiro e fazer pequenas bolinhas num tabuleiro com fundo coberto com papel vegetal.
A massa é bastante moldável, pelo que se não tiver saco de pasteleiro pode perfeitamente colocar as bolinhas com uma colher ou até moldá-las com a própria mão que ela não agarra.
Levar o tabuleiro ao forno e baixar a temperatura para 170/160º. Deixar cozer durante 30/40 min. até as bolinhas de choux ficarem douradas. Deixar arrefecer no forno. Entretanto pode fazer o creme de pasteleiro.
Leve ao lume o leite, com o pau de canela e a casca do limão e deixe ferver. Numa taça junte a farinha e o açúcar e noutra taça bata os ovos. Quando o leite ferver retire as cascas e o pau de canela e junte a mistura de açúcar com a farinha. De seguida envolva os ovos batidos e mexa sempre em lume brando até espessar.
Deixe arrefecer.
Quando o creme estiver morno ou frio, com o bico mais fino do saco de pasteleiro ( ou uma seringa como eu usei) faça um pequeno orificio nas bolinhas e recheie com creme. Por fim faça o caramelo. Leve o açúcar num tacho ao fogão até que este derreta e fique em ponto caramelo ( castanho escuro). De seguida junte pouco a pouco a água quente. É possível que se forme uma espuma. Não se preocupe é normal. Mexa sempre até dissolver bem e o caramelo espessar um pouco. Retire do fogão. Molhe cada bolinha de Choux no caramelo e coloque as bolinhas num prato. Pode acompanhar com o restante creme.
Os recheios das bolinhas Choux pode variar, entre creme pasteleiro, gelado, chantili, natas, mousse de chocolate, bem como a sua cobertura: caramelo, ganache, açúcar em pó ou fios de ovos. É só puxar pela imaginação e jogar com os ingredientes que se tem em casa.

Sem comentários:
Enviar um comentário